Indústria baleeria japonesa “afogou-se”, diz grupo de bem estar animal

baleiaThe Guardian (traduzido)

Por Justin McCurry

A indústria baleeira japonesa “afogou-se” e não consegue sobreviver sem enormes subsídios públicos, de acordo com um estudo.

O relatório, do International Fund for Animal Welfare (Ifaw) [Fundo Internacional de Bem Estar Animal], usa de forma inovadora dados do governo japonês para construir um caso contra o uso de milhões de dólares em subsídios públicos para apoiar a indústria no meio de um declínio dramático no consumo de carne de baleia.

No ano passado estes subsídios incluiram 2.28 mil milhões de ienes [18 milhões de euros] desviados do orçamento para reconstruir a região devastada pelo tsunami de 2011.

O relatório, acedido pelo Guardian, apela ao governo para desviar recursos para a indústria de observação de baleias como uma alternativa “pró-economia, pró-baleia” às caçadas anuais “de investigação” no Antártico. “A caça à baleia é um negócio não lucrativo que apenas consegue sobreviver com subsídios substanciais e que fornece um mercado a encolher e envelhecer cada vez mais rapidamente,” diz o relatório.

Os subsídios anuais, canalizados através do Instituto para a Investigação em Cetáceos, atingem uma média de 728 milhões de ienes [5.76 milhões de euros], diz, acrescentando que o governo gastou pelo menos 30 mil milhões de ienes [237 milhões de euros] na caça à baleia entre 1987 e o ano passado.

Para além disso, uma parte de um programa separado de pescas está a ser usado, em parte, para financiar a reparação do navio fábrica baleeiro, o Nisshin Maru, o que permitirá à frota continuar a operar durante pelo menos mais 10 anos.

O Japão recusa-se a abandonar o seu programa de caça à baleia, apesar de anos de oposição de países como a Austrália e a Nova Zelândia. Patrick Ramage, o diretor do programa global para as baleias da Ifaw, diz que foi em parte devido à influência de políticos representando comunidades costeiras piscatórias com ligações à caça à baleia, e burocratas na agência de pescas.

“Também há o facto de o Japão não apreciar que estrangeiros lhes digam o que fazer, e isso permite-lhes jogar a carta do imperialismo cultural,” disse.

O relatório diz que as alegações oficiais de que a caça à baleia é uma necessidade histórica e cultural são “profundamente e cada vez mais falsas”.

Estudos conduzidos em nome da Ifaw pelos japoneses E-Square e Nippon Research Centre mostram que o consumo de carne de baleia caiu em 1% a partir do seu pico nos anos 1960, quando ainda era uma fonte de proteína vital. Os correntes stocks de carne de baleia não vendida aumentaram para quase 5,000 toneladas, quase quatro vezes superior ao que eram há 15 anos.

“Com a riqueza e a modernização crescente, as pessoas do Japão perderam interesse por carne de baleia,” diz o relatório. “No entanto, oficiais de pescas e outras figuras do governo continuam a enfiar milhões de ienes dos contribuintes para estimular uma indústria que efetivamente afogou-se.”

O Professor Masayuki Komatsu, um ex-oficial do ministério da agricultura que ensina políticas de recursos oceânicos e marinhos no instituto superior nacional de estudos de política de Tóquio, concorda que a caça à baleia na sua forma presente é economicamente insustentável. A sua solução, no entanto, é aumentar a quota de pesca anual no Antártico e no noroeste do Pacífico para que os preços desçam o suficiente para atrair uma nova geração de consumidores.

“Para os japoneses mais velhos, a carne de baleia é algo de especial e merece que paguem um prémio,” disse. “Mas as pessoas mais jovens nunca provaram a carne. Não é especial para eles e há muitas outras fontes de proteína a que podem recorrer. O Japão tem de vender a carne de baleia a um preço competitivo, similar ao do porco ou galinha, e para isso necessita aumentar a sua quota pesqueira anual.”

De acordo com um estudo da Ifaw publicado no ano passado, 89% dos japoneses disseram que não haviam comprado carne de baleia nos últimos 12 meses.

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) impôs uma moratória na caça comercial em 1986, mas uma cláusula na moratória permite que o Japão capture cerca de 1,000 baleias no oceano do Sul a cada inverno, e vender a carne no mercado. Komatsu defende que a moratória da CBI deve ser levantada para permitir que o Japão capture “pelo menos” 1,000 baleias por ano.

O custo de enviar uma frota para o Antártico e dos confrontamentos com o grupo conservacionista Sea Sheperd forçaram a frota a regressar com uma fração da sua quota de 950 baleias em anos recentes. No fim do ano passado, os baleeiros deixaram os mares várias semanas mais tarde e espera-se que capturem apenas 300 baleias, diz Komatsu.

A Austrália, que na última semana exigiu à frota baleeira japonesa que deixe a sua zona económica exclusiva enquanto se prepara para o massacre deste inverno, levou a sua campanha para acabar com a caça à baleia na Antártida no tribunal internacional de justiça em Haia. Uma decisão poderá ser tomada este ano.

“A agência de pescas está a usar a pressão internacional à caça à baleia para criar apoio doméstico,” disse Ramage. “Mas não penso que esse argumento esteja a ter mais sucesso que toda aquela carne de baleia que se acumula em armazéns. Qualquer que seja o julgamento do tribunal, não mudará a realidade de que, no fim, a decisão para acabar com a caça à baleia será tomada em Tóquio.”

O relatório da Ifaw defende o desenvolvimento da observação de baleias ao longo da linha costeira japonesa, um movimento que, ao contrário das caças na Antártida, “dará um lucro e beneficiará diretamente as comunidades costeiras”.

Ramage diz: “A observação de baleias for uma alternativa economicamente benéfica que estiver a descolar no Japão e merece apoio do governo.”

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