Graciosa classifica touradas, defensores dos animais protestam

tourada bandarilhasPúblico

Uma quinzena de movimentos e associações anti-touradas e em prol dos direitos dos animais estão contra a classificação da tauromaquia como património cultural imaterial decidida no final de Fevereiro pelo município de Santa Cruz da Graciosa, naquela ilha dos Açores.

Movimentos como a Associação dos Amigos dos Animais da Graciosa, a Associação Portuguesa de Direitos dos Animais e do Ambiente ou o Movimento Internacional Anti-Touradas afirmam, em comunicado conjunto, que “a partir de agora a Graciosa vai ficar mais isolada do mundo civilizado”.

“Não faz sentido canalizar subsídios para estas práticas de brutalidade quando devia haver mais despesas com educação e outros tipos de manifestações culturais que não são valorizadas”, adianta Marlene Dâmaso, da Associação dos Amigos dos Animais da Graciosa.

Para Rita Silva, presidente da Associação Animal, que também se juntou ao comunicado, “é um sinal de que a indústria tauromáquica está a tentar sobreviver a qualquer custo”.

“Embora nos preocupe, este tipo de classificação local não tem qualquer parecer por parte da Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura], já que é feita por aficionados”, disse ao PÚBLICO. A Unesco concede classificações de património imaterial e cultural da humanidade mas, segundo Rita Silva, “a tauromaquia já foi proposta muitas vezes mas nunca foi aceite”.

João Manuel da Cunha, presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa, disse ao PÚBLICO que a oposição a esta medida teve origem fora da ilha. “Quem se opôs não foram os graciosenses, sabíamos de antemão que seria uma proposta bem aceite. Há eventos de carácter taurino que são uma autêntica festa e atraem muitos turistas”, garantiu.

Esta classificação pretende promover uma prática que, de acordo com o autarca açoreano, é uma tradição do concelho. João Manuel da Cunha adianta que, num município com mais de quatro mil residentes, “as corridas de touros chegam a ter mais de três mil pessoas”. E lembra que “não há mortes nos touros da ilha Graciosa”. A proposta foi aprovada dia 25 de Fevereiro, por unanimidade, na Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa.

Em Portugal, só Viana do Castelo se declarou como cidade anti-touradas. Desde 2008 que não é permitida a realização de qualquer espectáculo tauromáquico no espaço público ou privado do município, sempre que isso dependa de qualquer autorização a conceder pela autarquia.

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