Carta aberta à direção da AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica

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A AGROBIO determinou realizar a Feira Nacional de Agricultura Biológica deste ano na praça de touros do Campo Pequeno. A Carta Aberta a esta associação, abaixo disponível, exprime a indignação de todos os que a partilham. Assim, convidamos todos os cidadãos a ler e a subscrever a carta caso se revejam no seu conteúdo, declinando a participação na Feira e presença naquele espaço.

Exmos. Senhores,

Na sequência do anúncio da organização da “Terra Sã 2013 – Feira Nacional da Agricultura Biológica” a ter lugar na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, nos próximos dias 19 a 21 de Abril, vimos por este meio manifestar a nossa mais veemente indignação pela escolha do local.

O espaço que escolheram para acolher o evento por vós organizado é a “catedral” da abjecta tourada, que anualmente sacrifica milhares de bovinos e equídeos para fins de entretenimento, e que nos envergonha enquanto cidadãos de um país que criminaliza os maus tratos a animais, abrindo no entanto uma excepção para o massacre de touros em praça pública.

Acreditamos que a Agrobio tenha escolhido o local por uma questão de área, de disponibilidade, de centralidade, ou vantagem financeira, ou ainda qualquer outra razão que não signifique necessariamente interesse pela actividade tauromáquica. Contudo, tal como em tudo na vida, nós não podemos defender uma causa nuns dias e deixar de a defender quando nos dá jeito.

O apoio de cada um à actividade tauromáquica, ou a sua condenação, concretiza-se das mais variadas maneiras, não apenas na compra de ingressos para assistir a uma corrida. Há muitas outras formas menos óbvias mas onde nem por isso a posição de cada um face a esta prática deixa de estar retratada. A realização, ou participação, em eventos que ocorram em locais como o Campo Pequeno é, na nossa opinião, uma inequívoca conivência com a tauromaquia. Todas e quaisquer receitas geradas pela Sociedade Campo Pequeno, apoiam e perpetuam, directa ou indirectamente, esta actividade medieval e inqualificável.

Nas questões éticas, a neutralidade não existe porque, se não nos manifestarmos contra a injustiça e a opressão, estamos claramente a pactuar com o opressor e a ignorar as vítimas.

A Agrobio, enquanto agente de promoção de práticas mais ecológicas e sustentáveis e de harmonia do Homem com a Natureza deve também neste aspecto ser exemplo e motor de mudança. A tauromaquia, ao contrário da verdadeira cultura e da conexão entre o Homem e a Terra, não contribui para o desenvolvimento e enriquecimento humanos, antes degrada, dessensibiliza e embrutece.

Somos cidadãos residentes de norte a sul do país, de todas as classes etárias e profissões, e das mais diversas sensibilidades políticas. Não representamos nenhum tipo de grupo, associação ou partido, apenas e só cidadãos que entendem manifestar a sua aversão ao acima exposto. Muitos de nós consumimos diariamente produtos de origem biológica, e alguns, inclusivamente, fazem produção em pequena escala em modo biológico para consumo próprio.

Por tudo o que foi atrás exposto, não estaremos presentes na Terra Sã 2013. Quando a Agrobio se divorciar de forma clara da indústria tauromáquica, regressaremos.

Os subscritores,

Subscrever a carta (basta aderir ao evento).

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