Associação dos animais pode vir a ser despejada

Este cão, disponível para adoção, foi literalmente atirado para dentro do canil.

Este cão, disponível para adoção, foi literalmente atirado para dentro do canil.

Nota da Redação: O trabalho de acolher e tratar os animais de companhia abandonados deveria ser assumido pelas autarquias, em colaboração com as associações de defesa dos animais. Em vez disso, normalmente são as associações a arcar com todo o trabalho e toda a despesa, contra a vontade das autarquias, que apenas querem matar animais. É fundamental ajudar estas associações, mas é igualmente essencial pressionar as autarquias para que assumam as suas responsabilidades e não hostilizem quem cuida de animais maltratados e abandonados.

Labor

Por Anabela S. Carvalho

A Ani São João, Associação dos Amigos dos Animais de S. João da Madeira, apela à generosidade dos sanjoanenses para encontrar um espaço onde possa instalar um canil e gatil municipais. A associação tem sido responsável pelo canil local, na Rua das Águas, onde acolhe cerca de 20 cães abandonados e encaminha gatos para famílias de acolhimento. Mas a falta de condições daquele espaço e o receio de que venha a ser demolido leva a Ani São João a fazer este apelo.

O comunicado da associação chegou ao labor esta semana. A Ani São João queixa-se de que passou a ter mais animais abandonados nas instalações, mais pedidos de ajuda e mais denúncias de maus tratos. De tal forma que tem-se tornado difícil responder a todas as solicitações. “Não conseguimos responder a todos os pedidos que nos chegam. Todos os dias aparecem novos animais abandonados, todos os dias são entregues ou devolvidos mais animais”, lê-se no comunicado.

A associação garante o cuidado diário dos animais, nomeadamente a alimentação, higienização do canil e tratamentos veterinários básicos. Fá-lo com financiamento próprio, através de donativos e quotas de associados, sem qualquer tipo de apoio por parte de entidades oficiais. A presidente da associação, Teresa Oliveira, não conseguiu precisar o montante gasto mensalmente mas afiançou que é “elevado”, sobretudo devido às despesas com clínicas veterinárias, uma vez que a maioria dos animais aparecem no canil com problemas de saúde. “Já chegámos a ter o internamento da clínica toda por nossa conta”, disse ao labor.

De acordo com a associação, as oito boxes do canil, mesmo partilhadas por três ou quatro animais, não dão resposta às solicitações. Não existe um gatil, o que implica o encaminhamento de gatos para famílias de acolhimento temporário, nem um espaço para animais em quarentena ou recuperação de problemas de saúde mais graves ou pós-operatórios.

O espaço, além de exíguo e sem condições adequadas, está a deteriorar-se e pode vir a cessar o funcionamento. Sendo propriedade da câmara e com a abertura do canil intermunicipal, em Ossela, em 2008, a associação teme que o edifício venha a ser demolido. Nesse cenário, os animais seriam encaminhados para Ossela, onde, ao contrário do que acontece com a Ani São João, são abatidos quando não são adotados.

A associação alega precisar “urgentemente” de encontrar um terreno onde possa construir o canil/gatil. O ideal seria que o espaço em causa fosse cedido ou alugado a preço simbólico. Aí, seria construído um equipamento com mais boxes, mais espaços de recreio, enfermaria e sala de banhos.

Terreno do canil foi permutado

Desde 2011 que se sabe que parte da área ocupada pelo canil foi objeto de permuta com um particular para abertura de arruamentos. A associação foi informada nessa altura pela câmara municipal que as instalações do canil seriam encerradas e desmanteladas. Contudo, até hoje isso não aconteceu.

A associação terá o compromisso da câmara em como o canil continuará aberto enquanto Castro Almeida for presidente. O próprio assumiu numa assembleia municipal de 2011 que ainda não tinha fechado o espaço por “respeito”.

As voluntárias da Ani São João não confiam no serviço do canil intermunicipal. Numa assembleia municipal de 2011, a presidente da associação disse que os animais ali acolhidos não recebem cuidados veterinários suficientes, não são castrados nem esterilizados e o abate é semanal. Não foi desmentida.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s