Raças perigosas ou leis perigosas?

DSC00806Não temos raças perigosas, temos leis perigosas. Esta foi a conclusão de um debate organizado pelo Espaço NOA, em conjunto com a SPEdH – Sociedade Portuguesa para a Educação Humanitária e a UCA – Universitários pela Causa Animal, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Isabel Ramos, da União Zoófila (UZ), partilhou com a audiência várias histórias de cães alvo de maus tratos recebidos por esta associação. Com muito empenho e dedicação, cães que seriam considerados uma “causa perdida” por muitos canis municipais e abatidos são reabilitados e acarinhados pelos voluntários da UZ, sendo depois encaminhados para adoção.

A voluntária e ativista referiu ainda como a sua experiência na UZ lhe permitiu conhecer melhor as diversas raças. Hoje, pode afirmar com conhecimento de causa que é geralmente mais fácil levar um pitbull a uma consulta veterinária que um caniche.

Alexandra Pereira, veterinária municipal de Sintra e especialista em comportamento animal, concordou com a inutilidade da discriminação de raças potencialmente perigosas na lei, através de uma listagem criada sem qualquer critério científico. A veterinária salientou a forma como a lei presente não permite sequer distinguir casos sérios de agressão de casos em que um animal feriu sem gravidade uma pessoa, relatando casos de cães que são retidos no canil de Sintra por terem atacado uma galinha ou outro animal de quinta ou por terem tentado defender alguém de um ataque de outra pessoa. Se fôssemos a levar a lei a sério, acrescentou ainda, teríamos de mandar prender em canis todos os cães e gatos que arranham ou mordem alguém.

Para Alexandra Pereira, a mudança legal mais importante que pode haver é a substituição da listagem de raças “potencialmente perigosas” por uma lei especificamente destinada a animais “perigosos”, isto é, animais que comprovadamente atacaram pessoas com gravidade e injustificadamente. Isto obrigaria a um debate sobre como responsabilizar tutores pelos seus animais e quais as mudanças necessárias para assegurarmos a reabilitação dos animais “perigosos”.

Aqui é possível descarregar uma gravação audio do debate, em formato MP3.

2 thoughts on “Raças perigosas ou leis perigosas?

  1. Muito interessante a iniciativa do debate. É sempre importante estar atento a essas questões. Moro no Brasil, e aqui não há muitos debates sobre o tema, e quando há, ninguém está conscientizado o suficiente para participar.

  2. Pingback: “Queremos acabar com a experimentação animal para fins pedagógicos” | Espaço NOA

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