“Queremos acabar com a experimentação animal para fins pedagógicos”

UCAlogo Entrevista com os Universitários pela Causa Animal

Em Lisboa, surgiu recentemente um grupo de estudantes para defender os direitos dos animais. O Universitários pela Causa Animal tem organizado várias iniciativas, incluindo o debate sobre a lei das “raças potencialmente perigosas”, em colaboração com o Espaço NOA. Quisemos saber quais são os seus planos para o futuro e divulgar o seu trabalho, pelo que realizamos uma entrevista ao movimento.

Como surgiram os UCA?

Os Universitários pela Causa Animal (UCA) surgiram após uma divergência entre os membros de um outro grupo – O Movimento Universitário pelos Direitos dos Animais (MUDA). Esta divergência refletiu-se na saída de um número significativo de membros do MUDA que, mantendo a sua motivação para continuar a lutar pela causa animal dentro do meio universitário, decidiram iniciar um novo projeto.

Após algumas reuniões durante o Verão de 2012 e de muitos preparativos, decidimos apresentar os Universitários pela Causa Animal no início deste ano letivo.

Qual foi a divergência com o MUDA?

A divergência entre os atuais membros dos UCA e os do MUDA deveu-se, sobretudo, a opiniões diferentes relativamente à forma de agir e sensibilizar as pessoas. Considerando que já existem vários grupos de ativistas que se empenham, entre outras coisas, na organização de manifestações, achámos que não seria muito produtivo criar um projeto de raiz que tivesse como principal objetivo a denúncia de atividades que consideramos erradas através de protestos.

Pelo contrário, o número de associações ou grupos informais que se empenha em informar e sensibilizar através de palestras, debates e outras ações de sensibilização, é muito reduzido. Assim, e porque as manifestações são importantes mas não permitem responder às dúvidas de uma sociedade que não está sensibilizada para os direitos dos animais, achámos que deveríamos criar algo que tivesse como objetivo principal a informação e a sensibilização da sociedade e do meio académico para a causa animal. Os atuais membros do MUDA defendiam uma postura mais interventiva, no sentido da participação e realização de protestos. Em algumas situações surgiram propostas, dentro do grupo, de participação em manifestações que em nada se relacionavam com a causa animal.

As divergências e os conflitos que se criavam internamente impediam a promoção de eventos, de forma que nem um lado, nem o outro, avançava com as suas ideias e propostas. Assim, decidimos sair e criar um grupo que refletisse aquilo que os atuais membros dos UCA acreditam e se empenham.

Qual é o vosso principal objetivo?

O nosso principal objetivo é sensibilizar para a causa animal, sobretudo no meio universitário. Isto porque acreditamos que as Universidades são, ou pelo menos deveriam ser, um meio onde as pessoas estão mais dispostas a ouvir novas opiniões e a formar novas perspetivas críticas em relação à sociedade onde se encontram inseridas. É importante referir que, ainda que este seja o nosso principal objetivo, não queremos de todo limitar a nossa ação às Universidades. Queremos ter uma ação em toda a sociedade, em geral, e, portanto, estamos abertos a receber qualquer pessoa.

Como é que os membros dos UCA se envolveram na causa animal? Porquê esta causa?

Uma grande parte dos membros dos UCA participava já em manifestações organizadas pela Associação ANIMAL. Alguns dos membros conheceram-se a partir destas ações. Sendo a maioria de nós estudantes universitários, achámos pertinente criar um grupo dedicado à causa animal e inseri-lo no meio académico, dada a clara ausência de semelhante grupo neste meio.

Consideramos a causa animal uma das causas mais desprezadas e com menos apoio social. O bem-estar e a liberdade de todos os animais não são tidos em consideração, seja em que meio for. No entanto, outras causas como, por exemplo, a que luta pelo fim da discriminação racial, estão já muito adiantadas, com um claro apoio da maioria da população, e têm sido nos últimos anos debatidas a nível parlamentar e em meios que têm permitido uma mudança positiva.

Consideramos fundamental o contributo para a causa animal, para que esta comece a conquistar tantos defensores como as restantes causas humanitárias, igualmente importantes.

Que trabalho têm desenvolvido?

Iniciámos o nosso projeto com uma ação de longo prazo. Esta consiste na recolha de assinaturas de estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para excluir do currículo obrigatório, de todos os cursos, a experimentação animal para fins pedagógicos. Como suporte para esta petição iniciámos também uma recolha de cartas de cientistas ou de pessoas, de alguma forma, envolvidas na experimentação animal e nas suas alternativas.

A par desta ação, temos também realizado diversas palestras com o objetivo de consciencializar e sensibilizar para as diversas formas de exploração animal (até agora, experimentação animal e o mito das “raças perigosas”). A nível de ações de sensibilização e informação, realizámos na época dos circos uma distribuição de panfletos em escolas primárias, mas também passámos o documentário Earthlings (Terráqueos) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Estamos atualmente a planear outras ações de sensibilização que deverão realizar-se nos próximos meses, designadamente relacionadas com a utilização de peles e o abandono animal.

Onde é que os estudantes da FCUL podem assinar a vossa petição e para onde podem outras pessoas envolvidas na ciência enviar cartas de apoio?

A petição não se encontra disponível para uma assinatura online. Contudo, estamos disponíveis para combinar com qualquer aluno da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa uma data para que o mesmo assine a petição. Para isso basta enviar-nos um email para ucanimal@gmail.com. Da mesma forma, qualquer pessoa envolvida no meio científico poderá mandar a sua carta, assinada digitalmente, para o nosso email.

Qual o impacto que os UCA têm tido na universidade e nos universitários?

Ao longo destes últimos meses temos recebido um feedback positivo de muitas pessoas. Infelizmente, muitas delas já estão envolvidas, de uma forma ou de outra, na causa animal. É ótimo receber este apoio. No entanto, não deixa de ser dececionante quando constatamos que as pessoas que aderem aos nossos eventos já conhecem, ou já participam, no movimento pelos direitos dos animais. Estamos, contudo, confiantes de que iremos alcançar os nossos objetivos.

Uma das nossas preocupações atuais é alterar a nossa forma de agir para que consigamos chegar, não só aos interessados, mas também àqueles que nunca pensaram seriamente nos animais e na forma como estes têm sido tratados pela sociedade.

Que mensagem querem deixar à comunidade do Espaço NOA?

Gostaríamos de desafiar os universitários que consultam o espaço NOA a colaborarem connosco. Somos um grupo sempre disponível a receber novos membros com vontade e motivação para defender os animais.

Achamos, acima de tudo, que o mais importante é que as pessoas se organizem em grupos formais ou informais, ou mesmo a título individual, e que se movam pelos direitos dos animais. É necessário que haja ações efetivas por parte das pessoas e não uma neutralidade e “comodismo” que leva a que se reconheça o mal mas não se reivindique o bem. Citando Ghandi, “Sê a mudança que pretendes ver no Mundo”.

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