Tauromaquia divide autarcas ribatejanos

campo pequeno touradaO Mirante

Câmara de Abrantes, de maioria socialista, chumbou proposta que visava declarar a tauromaquia como património cultural e imaterial do concelho, na mesma semana em que a autarca do PS de Vila Franca de Xira defendia a luta pela declaração da festa brava como património nacional. O tema é polémico e conta apoiantes e contestatários em todas as forças políticas.

Na mesma semana em que a presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), declarava querer ver a tauromaquia reconhecida como património nacional e defendia mais envolvimento dos municípios, uma centena de quilómetros Tejo acima, em Abrantes, a maioria socialista que gere esse município chumbava uma proposta do PSD intitulada “Em Defesa dos Toiros”, que visava declarar a tauromaquia como património cultural e imaterial de Abrantes.

A coincidência temporal ilustra bem a divisão que o tema gera não só na sociedade mas também entre autarcas de uma região com fortes tradições taurinas. A autarca de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), entende que a classificação da tauromaquia como património nacional e cultural ainda está longe de se concretizar e que é preciso reforçar a “vontade e convicção” de todos os agentes envolvidos. Entre eles estão os municípios, que Rosinha diz serem pilares fundamentais para dar força à candidatura da tauromaquia a património nacional.

“Quantos mais [municípios] formos mais condições temos para exigir a classificação deste nosso património, que está a ser atacado em todas as frentes. Infelizmente sinto uma grande frustração pela falta de envolvimento dos responsáveis do Governo sobre este assunto. É importante voltar a trazer esta discussão para o plano nacional”, defendeu a autarca socialista de Vila Franca de Xira.

 

As promoções de Moita Flores e o chumbo de Tomar

Mas não se pense que é só no PS que há acentuadas divergências de opinião sobre a chamada festa brava. Nos últimos anos, o executivo PSD da Câmara de Santarém (sobretudo enquanto foi liderado por Moita Flores) tornou-se ponta de lança da promoção das corridas de toiros na cidade, comprando milhares de bilhetes que depois oferecia.

Mas na Câmara de Tomar a maioria PSD que gere o município ajudou a chumbar, no Verão passado, com a ajuda do PS, a proposta apresentada pelos vereadores do movimento “Independentes por Tomar” que pretendiam a classificação da tauromaquia como “Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal”. Essa decisão causou alguma surpresa, tendo sido tomada a poucos dias da tradicional tourada de homenagem ao emigrante que se realiza na praça de touros de Tomar em Agosto.

O presidente da câmara, Carlos Carrão (PSD), explicou na altura a O MIRANTE que votou contra porque, entretanto, a autarquia apurou que “não há enquadramento legal que permita classificar a tauromaquia como património cultural e imaterial”. E acrescentou que, numa primeira fase, a câmara pensava aderir à secção de municípios da Associação Nacional de Municípios Portugueses com actividade taurina, como foi sugerido pelo PS, o que acabou por suceder.

 

Coruche lidera Municípios com Actividade Taurina e quer mais acção do Governo

A Secção de Municípios com Actividade Taurina, criada no seio da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), é composta por 41 municípios, sendo liderada por Coruche. O município de Santarém é vice-presidente em conjunto com Angra do Heroísmo, enquanto Vila Franca de Xira é secretário em conjunto com a Moita.

Os membros da Secção de Municípios com Actividade Taurina são, por ordem alfabética, conforme consta do site da ANMP: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Almeirim, Alter do Chão, Angra do Heroísmo, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Barrancos, Beja, Benavente, Calheta (Açores), Cartaxo, Coruche, Cuba, Fronteira. Golegã, Lagoa (Algarve), Lisboa, Moita, Montijo, Moura, Pombal, Portalegre, Póvoa de Varzim, Praia da Vitória, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sabugal, Salvaterra de Magos, Santa Cruz da Graciosa, Santarém, Setúbal, Sobral de Monte Agraço, Sousel, Tomar, Velas, Viana do Alentejo, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha e Vila Nova de Poiares.

Ainda segundo a mesma fonte, entre os 33 municípios que aprovaram a declaração da tauromaquia como património cultural imaterial estão, na área de abrangência de O MIRANTE, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Coruche, Salvaterra de Magos, Santarém e Vila Franca de Xira.

O objectivo desse grupo de municípios é levar o Governo a classificar a tauromaquia como “Património Cultural Imaterial de Portugal”, com Dionísio Mendes, presidente da Câmara de Coruche, a lamentar o arrastar do processo. “Esperar agora que adiram mais municípios já não é a preocupação principal, mas sim que a Secretaria de Estado da Cultura assuma isto como um projecto nacional. Dizem-nos que está no gabinete do secretário de Estado a aguardar a assinatura, mas ainda não nos chegou nada, apesar das insistências”, afirmou a O MIRANTE o autarca que preside à Secção de Municípios com Actividade Taurina.

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