ONG Peta vira alvo de críticas de defensores de direitos dos animais

peta-kill-this-dogÚltimo Segundo (traduzido do New York Times)

O Peta, considerado por muitos o mais importante grupo defensor de direitos dos animais dos Estados Unidos, mata em média dois mil cachorros e gatos de seu abrigo a cada ano. E o abrigo consegue fazer poucas adoções: 19 animais em 2012, 24 em 2011.

Numa época em que os outros grandes grupos adotaram um modelo sem mortes em seus abrigos, o People for the Ethical Treatment of Animals (em português, Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais) continua com a prática, mesmo defendendo que animais não devem ser mortos para se transformarem em comida, casacos de pele ou bolsas de couro.

“Honestamente, eu não entendo. O Peta faz muito para o bem dos animais, mas nunca poderia apoiá-los nisso”, diz Joan Schaffner, advogada de direito dos animais e professora na universidade George Washington.

Até a década passada, era comum os abrigos fazerem a eutanásia para diminuir o número de gatos e cães que não eram adotados. Mas o movimento dos “sem morte” cresceu rapidamente, deixando o Peta para trás. Na cidade de Nova York, foram mortos 8 mil cães e gatos no ano passado, número bem menor que os quase 32 mil de 2003.

Funcionários do Peta, cujo único abrigo fica em Norfolk, estado da Virgínia, dizem que os animais que eles resgatam estão em condições tão ruins devido aos maus tratos que é melhor matá-los. “É uma visão idealizada de quem nunca trabalhou em um abrigo achar que cada animal pode ser salvo”, diz Daphna Nachminovitch, vice-presidente do Peta para investigação de crueldade. “Eles não veem as terríveis dores físicas e emocionais que esses pobres cachorros e gatos podem sofrer.”

Em 30 anos, o Peta fez várias campanhas publicitárias contra corporações que em sua visão maltratam animais, como McDonald’s (frangos) e General Motors (testes de impacto em porcos). A campanha anual “Prefiro ir nu que usar casaco de pele”, com modelos pelados, é uma peça lendária de relações públicas.

Mas agora quem protestava está sendo alvo de protestos, e o Peta se tornou a entidade mais criticada entre que apoiam os abrigos sem morte.

Não dá dados nacionais sobre o número de animais adotados e mortos nos abrigos americanos – apenas alguns estados mantêm registros, assim como algumas organizações privadas. Das informações existentes, a tendência é clara: as adoções estão em alta, as eutanásias estão caindo.

O blog Out the Front Door, que busca registros de abrigos sem morte, lista 161 locais que atualmente conseguem salvar 90% ou mais dos animais; em 2001, só havia um abrigo assim. Uma conferência sobre abrigos sem mortes atraiu 860 pessoas no ano passado; no primeiro encontro, em 2005, apenas uma dúzia participaram.

Mais do que qualquer outro grupo, o Maddie’s Fund, uma fundação na área de São Francisco, tem sido o responsável por espalhar o movimento de abrigos sem mortes. Iniciada em 1999 por bilionários da internet, a entidade tem subscrito vários programas nacionais que promovem o movimento. Ela financia programas de tratamento de saúde em 18 das 29 maiores faculdades de veterinária dos EUA. A ideia é que animais saudáveis são mais baratos de manter e mais fáceis de serem adotados.

Em uma das iniciativas, o Maddie’s Fund paga a abrigos US$ 500 (cerca de R$ 1.130) por cada gato e cachorro com menos de 7 anos que é adotado, US$ 1 mil (R$ 2.260) por animal com mais de 7 anos, e US$ 2 mil (R$ 4.520) se o bicho tiver mais de 7 e algum problema de saúde. “Isso ensina aos abrigos que os velhos e feios não são descartáveis”, diz Richard Avanzino, diretor da fundação. “Estamos mudando a cultura ao mostrar que não matar pode funcionar.”

Avanzino classifica a politica do Peta de matar quase todos os animais de seu abrigo como “ultrapassada” e “absolutamente idiota”.

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