Animais: Quando tortura é sinônimo de “ética”

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Por Katia Auvray

Eles sentem medo, tristeza e dor, como os humanos. Só não sabem como se livrar delas, quando aplicadas por quem deveria protegê-los.

Dezenas de ativistas invadiram no último dia 18 de outubro, o laboratório do Instituto Royal, em São Roque/SP. Eles levaram em carros quase 200 animais que lá se encontravam, segundo a Guarda Municipal da cidade e a Polícia Militar, motivados pelas suspeitas de que sofriam maus-tratos no local.

Os manifestantes acusam o instituto de maltratar cães da raça beagle usados em pesquisas e testes de produtos cosméticos e farmacêuticos, além de usar no trabalho também coelhos e ratos.

Segundo eles, uma denúncia anônima havia alertado que os cães estariam sendo sacrificados desde o dia anterior com métodos cruéis, e que os corpos estariam sendo ocultados em um porão.

Experimentos são realizados com animais vivos, envolvendo ou não a dissecação, para a obtenção de resultados de comportamento, medicamento, cosmético ou ação de substâncias químicas.

Coelhos são empregados para testes de irritação dos olhos, para medir a ação nociva dos ingredientes químicos encontrados em produtos de limpeza e em cosméticos.

Os produtos são aplicados diretamente nos olhos dos animais conscientes. Para prevenir que arranquem seus próprios olhos, devido á dor, são imobilizados em suportes, com os olhos mantidos abertos com clips de metal, para que seguram suas pálpebras.

Inflamações das pálpebras e íris, úlceras, hemorragias ou cegueira são os resultados.

Nos testes de irritação da pele o animal é imobilizado, enquanto substâncias são aplicadas nas peles raspadas e feridas. Fita adesiva é pressionada e arrancada violentamente, até que surjam camadas de carne viva para que as substâncias sejam aplicadas, provocando enrijecimento cutâneo, úlceras e edemas.

Criado em 1920, o teste LD 50 serve para medir a toxicidade de alguns ingredientes e utiliza, em média, 200 animais, entre ratos, coelhos, gatos, cachorros, cabras e macacos.

O animal é forçado a ingerir através de sonda gástrica, uma determinada quantidade de substância, o que, muitas vezes, leva à morte por perfuração.

Os efeitos incluem dores angustiantes, convulsões, diarréia, dispnéia, emagrecimento, postura anormal, supuração, sangramento nos olhos e boca, lesões pulmonares, renais e hepáticas, coma e morte.

O produto continua a ser administrado até que 50% do grupo experimental morra. A substância também pode ser administrada por via subcutânea, intravenosa, intraperitoneal, misturada à comida, por inalação, via retal ou vaginal. Tudo isso para experimentar os efeitos de loções para o corpo, pasta dental, amaciantes de roupa e outras substâncias potencialmente tóxicas.

Experimentos de comportamento e aprendizado têm a finalidade de estudar o comportamento de animais submetidos a todo tipo de privações – materna, social, alimentar, de água, sono e outros.

Os animais também empregados em experimentos armamentistas, pesquisas de programa espacial, dentárias, dissecação, testes de colisão – quando são lançados contra paredes de concreto, arrebentados e mortos – cirurgias experimentais e práticas médicocirúrgicas, quando são mutilados.

Já existem inúmeras métodos substitutivos ao uso de animais em laboratórios, como os processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, culturas de tecidos provenientes de biópsia, cordões umbilicais, ou placentas descartadas. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células humanas.

Várias diretrizes foram firmadas pela A União Européia para abolir os testes com animais, especialmente o DL 50 e países como Inglaterra, Alemanha, Suíça, Holanda, Suécia e Estados Unidos já aboliram diversas práticas

Afirmar a existência de procedimentos “éticos”, como o emprego de anestésicos, não altera os resultados. A anestesia passa. A dor lancinante provocada pelas reações e mutilações fica.

Se nada mais advir de positivo para os animais com a invasão dos ativistas ao laboratório em São Roque, a visibilidade dada à questão já é um começo para a discussão de práticas desumanas.

Mobilize-se. Evite usar produtos testados em animais; Conscientize as pessoas a fazerem o mesmo; Envie e-mails às empresas que testam, informando que deixarão de usar seus produtos enquanto forem testados em animais. Eles agradecerão.

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