Animais como nós. Uma matrioska reflexiva sobre a bicharada

AnimaisI

Por Miguel Branco

16 artistas distintos reflectem sobre o mesmo tema: a animalidade. Para ver até domingo na LX Factory

Isto não tem nada da Rússia. A não ser a metáfora das famosas bonecas matrioskas, que se encaixam umas nas outras, da maior à mais pequena. Em cada uma cabe a outra, como se a anterior não nos contasse tudo. “Animais como nós” vai muito por aí. Não se limita a um género de manifestações artísticas – vai da instalação à poesia gráfica e ao desenho com grande facilidade – nem a uma só mão. Dezasseis camadas, como quem diz artistas, de arte propõem–nos uma reflexão sobre os animais enquanto seres selvagens e domésticos. E, mais ainda, sobre a relação que nós, seres humanos, estabelecemos com estes.

Elisa Ochôa é a responsável pelo projecto que se instalou na LX Factory, em Lisboa, desde dia 8 e que termina já este domingo. Além de activista dos direitos dos animais, Elisa quase se perde no seu próprio currículo – “A minha vida dava um filme”, canta em fado ainda sem saber que o gravador estava ligado. Filósofa de formação, fez um mestrado em Museologia e Musicografia. Com 25 anos atirou-se para Nova Iorque e por lá viveu durante dez anos. Estudou representação, artes plásticas, performance, deu aulas de teatro a miúdos, enfim, tudo.

Agora com 39 anos, estabeleceu-se em Portugal, onde já trabalhou no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. “Animais como nós”, onde é curadora e artista, é apenas a vontade de debater a animalidade. “[O projecto] nasce porque as minhas valências museológicas, filosóficas, a minha paixão incondicional pelos animais e pela natureza, fizeram-me querer comunicar algo de interessante aos públicos. É também uma forma de mostrar que a arte contemporânea não é algo indecifrável, como alguns querem que seja”, explica.

Uma das peças mais intrigantes desta exposição é uma incubadora de fungos da autoria do designer Paulo Sellmayer, ou seja, uma peça envidraçada onde uma série de fungos começa a crescer. Depois há mais, como dois painéis enormes da pintora Sara Maia, ou ainda uma série de quadros com poesia gráfica sobre inúmeros animais – a poetisa brasileira adequa os seus versos às características dos animais que descreve. “Quis fazer confluir arte e ciência num formato de transversalidade, não me centrar apenas na pintura ou no desenho”, explica Elisa.

Vejam-se as obras todas e as dúvidas não se dissipam. Animais-humanos ou humanos-animais, o que partilham? “Sobretudo as emoções e o impulso, mais do que qualquer outra coisa”, diz-nos Elisa. Podemos acreditar, até vamos a pensar nisso de volta para a redacção. Mas há coisas que o melhor é não saber.

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