Populares e apoiantes do BE manifestam-se em Estarreja contra tourada

anti touradaPúblico

Populares e apoiantes do BE manifestaram-se neste domingo contra uma tourada realizada na Arrotinha, Estarreja, considerando que se trata de um “retrocesso civilizacional” num concelho sem tradição tauromáquica, um argumento que é rejeitado pela organização.

O protesto envolveu mais de 30 manifestantes, que gritaram a espectadores e protagonistas da lida palavras de ordem como “Sofrimento animal não é programa cultural” e “Toureiros e forcados – a vergonha nacional”.

Pedro Filipe Soares, deputado na Assembleia da República e coordenação da distrital de Aveiro do BE, declarou à Lusa que em causa está “a tentativa de introduzir em Estarreja uma prática que não é tradição no concelho nem tem qualquer ligação à sua cultura”.

“Isto não é cultura”, garantiu o parlamentar. “Isto é tortura, é violência gratuita sobre os animais e representa um retrocesso civilizacional num concelho e num distrito sem qualquer ligação a touradas”, refere.

A manifestação teve também o objectivo de sensibilizar a população de Estarreja para o respeito pelo bem-estar animal e para a promoção de “verdadeiras formas de cultura”.

“O sofrimento de um animal não pode ser um espectáculo”, explicou Pedro Filipe Soares. “Num país de ‘fome cultural’ como o nosso, qualquer colectividade tem formas melhores de promover actividades para angariação de fundos para a sua actividade”, referiu.

Empunhando cartazes com frases como “A tortura animal vai ser crime em Portugal”, os manifestantes criticavam ainda o efeito que as touradas têm na “construção educacional” de crianças e os jovens.

Juliana Cardoso, mãe de um menino de três anos, foi uma das manifestantes que defendeu essa posição. “Entristece-me ver este futuro, que é sangrento com os animais”, observou. “Não quero o meu filho a crescer num ambiente destes”, acrescentou.

A organização do evento coube ao criador de cavalos José Gouveia, que, enquanto porta-voz da Associação Desportiva de Santiais, afirmou que essas são posições “de quem não conhece a ‘afición’ do Norte de Portugal”.

“Há muitos anos atrás tínhamos touradas em Espinho e Viana do Castelo, e elas só desapareceram por interesses políticos”, defendeu. “Mas o Norte tem muita ‘afición’ e criadores de cavalos de grande categoria”, assegurou.

Quanto às vantagens do evento para a colectividade de Santiais, José Gouveia informou que o objectivo é angariar receita para “ajudar às despesas de manutenção da associação”.

Os bilhetes custaram 15 a 20 euros e a praça de touros instalada para o efeito na Arrotinha tinha uma lotação de 1800 lugares.

O organizador do evento revelou que “os bilhetes foram quase todos vendidos”, mas, quanto ao valor que reverte para a Associação Desportiva de Santiais, não soube especificá-lo.

“Montar um espectáculo destes custa 22.000 euros”, realçou. “Depois de pago o espectáculo todo, só uma parte do lucro é que reverte para a associação”, adiantou.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s