Primeiro Atlas dos Morcegos mapeou espécies em Portugal

morcegaloNotícias ao Minuto

Um trabalho de mapeamento permitiu saber a distribuição de 24 espécies de morcegos presentes em Portugal e descobrir onde se encontram algumas menos conhecidas, um contributo importante para analisar a sua evolução e definir medidas de conservação.

O principal objetivo deste primeiro Atlas foi “organizar a informação que temos sobre a distribuição das espécies de morcegos em Portugal Continental, [pois] existem muitos dados ´perdidos´”, disse hoje à agência Lusa a chefe da Divisão de Conservação da Biodiversidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O projeto, que decorreu durante dois anos e envolveu cerca de 150 pessoas, também pretendia contribuir para a criação de uma base de dados da distribuição das espécies, disponível para todos os que trabalham na conservação dos morcegos, e para a sensibilização da população para a importância destes animais no equilíbrio dos ecossistemas.

Quando questionada acerca da existência de conclusões inesperadas na pesquisa, Ana Rainho explicou que o Atlas vai ser a referência para a construção de projetos futuros e, “sendo o ponto zero deste trabalho, as surpresas são sempre relativas e a partir daqui é que será analisado como no futuro a distribuiçao das espécies vai ou não alterar-se, como evolui no tempo”.

A técnica do ICNF salientou que as questões “são sempre pontuais e relacionadas com espécies recentemente conhecidas no país” e apontou o exemplo do “eptesicus isabellinus [morcego-hortelão-claro], cuja distribuição conhecida era essencialmente no norte de África e desde que foi confirmada a sua presença em Portugal julgava-se” que estava mais no sul do país.

Com o Atlas, que é hoje apresentado, foi possível confirmar que “não é bem assim e a espécie está presente sempre no interior do país, mas até Trás-os-Montes, o que foi uma surpresa” para Ana Rainho.

Outro dado interessante refere-se ao morcego-arborícola-grande, ou nyctalus noctula, cuja observação em Portugal tinha sido comprovada através de um exemplar de museu, “que não se sabe quando foi recolhido”, e desde ai não tinha sido possível confirmar se ocorria ou não no país.

“Apesar de não termos respostas para as espécies todas, já podemos confirmar definitivamente que a espécie está presente em Portugal, passadas muitas décadas”, resumiu a chefe de Divisão do ICNF.

Perceber a evolução de uma espécie nas suas áreas de distribuição é importante para definir se está ameaçada ou não e para avançar com medidas que garantam o seu bom estado de conservação.

Por exemplo, é esperado que as alterações climáticas afetem muito as espécies da região do mediterrâneo devido ao aumento da temperatura e do potencial de desertificação.

“Os morcegos são espécies que dependem muito da água e é muito provável que afete o seu estado ou a sua distribuição e isso poderá ser agudizado pelas alterações do uso do solo, como a intensificação das áreas agrícolas ou a desflorestação”, explicou Ana Rainho.

Entre os morcegos, há “algumas espécies com problemas de conservação, mas há muitas ainda que não têm estatuto de conservação definido, não são conhecidas o suficiente para conseguirmos dizer se estão ameaçadas ou não”, disse ainda a responsável.

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