É a crise (e não o ambiente) que leva os portugueses a comer menos carne

vacai

Por Marta Cerqueira

O consumo de carne de bovino em Portugal é o mais baixo em dez anos

A crise económica está a reflectir-se nos hábitos alimentares dos portugueses, com quebras no consumo de carne vermelha, peixe, vinho, cerveja, lacticínios e fruta. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística relativos a 2008-2012, o consumo de carne de bovino foi o mais baixo em dez anos e o de carne de suíno atingiu um mínimo de 13 anos. As aves, por seu turno, acabaram por ser, pela primeira vez desde que há registos estatísticos, o principal tipo de carne consumido em Portugal.

Cada português consumiu 105,5 quilos de carne em 2012, quando em 2008 esse valor era de 112,5 quilos. Segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do INE, feito em 2013 com base nos rendimentos de 2012, a população portuguesa que vivia em situação de privação material severa passou de 8,6% em 2012 para 10,9% no ano passado. Entre os itens para a elaboração do estudo estava a capacidade de comer carne ou peixe de dois em dois dias.

Nuno Metelo, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa, lembra que sempre houve uma tendência para que as classes mais pobres apostassem em produtos vegetarianos, como é o caso das leguminosas, por serem mais baratos. “O consumo de carne esteve, durante muitos anos, ligado apenas a consumidores com poder de compra, e só com a criação intensiva é que se conseguiu começar a vender a carne mais barata, chegando assim a toda a população”, explicou ao i.

Um estudo de 2008 realizado pela empresa de estudos de mercado Nielsen para o Centro Vegetariano refere que Portugal tem cerca de 30 mil vegetarianos. Apesar de os dados não terem sido formalmente actualizados, Nuno Metelo acredita que o número será agora superior: “É uma tendência mundial e acreditamos que, em Portugal, a população de vegetarianos esteja também a aumentar.” Para o presidente da associação, o acesso a mais informação tem levado cada vez mais pessoas a mudar os hábitos de consumo, acrescentando que a falta de condições da produção animal é tida como principal argumento para quem o faz. “Há sempre outros factores associados, como é o caso da saúde, mas a grande maioria dos que adoptam o vegetarianismo como estilo de vida alegam questões éticas”, referiu.

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