Mais de 50 animais mortos por atropelamento em Castelo Branco num ano

raposaPúblico

A associação ambientalista Quercus registou, no último ano, a morte de 56 animais por atropelamento em dois locais que está a monitorizar em Castelo Branco. Este número “preocupante” é apenas “a ponta do icebergue”, sublinha Samuel Infante, responsável pelo Centro de Recuperação de Animais Selvagens (Ceras) do concelho.

Raposas, lontras, ouriços-cacheiros, texugos, fuinhas, corujas e mochos são as espécies de fauna selvagem ali atropeladas em maior número. Aos 56 animais registados juntam-se “várias dezenas” de répteis e anfíbios, especialmente vulneráveis por terem pouca mobilidade e menor capacidade para evitar o atropelamento, e também por lhes ser atribuída menos importância. “As pessoas valorizam pouco o impacto que a morte dos anfíbios tem no ecossistema, mas eles fazem controlo de pragas, ao alimentarem-se de caracóis e insectos”, exemplifica Samuel Infante.

O Ceras de Castelo Branco iniciou no ano passado a monitorização da mortalidade em dois locais mais problemáticos no concelho: junto à ponte do rio Ponsul na estrada nacional (EN) 18 que liga Castelo Branco e Malpica do Tejo, e no troço da estrada municipal (EM) 1230 junto à Barragem de Santa Águeda. “São zonas que se destacam por estarem inseridas num parque natural [Parque Natural do Tejo Internacional], com presença de diversas espécies e populações mais numerosas, e também pelas condições da geografia da estrada e da vegetação”, explica o responsável do centro.

A estes dois “pontos negros” juntam-se outros dois já identificados: no troço da EN240 de Castelo Branco para o Ladoeiro, e na EM 351 entre Monforte da Beira e Cegonhas.

Mas muitos animais atropelados não chegam a entrar nas estatísticas da associação. “Alguns são comidos por outros e uma percentagem significativa acaba por morrer longe da estrada, ou então morre durante a noite quando há menos gente na estrada para os detectar”, afirma Samuel Infante.

Segundo um estudo realizado no Alentejo pela Universidade de Évora, designado MOVE (acrónimo de Montemor-Valeira-Évora, principais localidades nas quais decorre a amostragem), morrem anualmente, em média, 120 animais por quilómetro de estrada naquela zona.

Samuel Infante lembra que o atropelamento é uma das principais causas de morte de espécies em perigo de extinção como o lobo e o lince-ibérico. Por exemplo, em Espanha, na região da Andaluzia, onde o lince-ibérico tem vindo a ser reintroduzido através do programa LIFE Iberlince, só entre Junho e meados de Agosto morreram atropelados sete exemplares deste que é o felino mais ameaçado do mundo, segundo a informação disponível no site do projecto.

O Ceras vai agora pedir reuniões com os municípios do distrito de Castelo Branco, e com outras entidades responsáveis pela gestão das estradas, para pedir a aplicação de medidas de minimização, como a colocação de sinalética, de lombas para redução da velocidade ou de passagens para a fauna. “Queremos também sensibilizar os condutores para que conduzam com mais atenção nas zonas de parque natural ou florestais, e reduzam a velocidade, até porque existe risco para as pessoas. Atropelar um animal de grandes dimensões, como um javali, pode ser perigoso”, sublinha Samuel Infante. Quem encontrar animais atropelados pode ligar para o SOS Ambiente (808 200 520), pedindo que sejam recolhidos.

Nos últimos 15 anos, deram entrada no Ceras de Castelo Branco cerca de 200 animais atropelados, que os técnicos do centro tentam recuperar. Mas o atropelamento não é o único risco para a fauna selvagem. No ano em que comemora 15 anos de existência, o Ceras tenciona divulgar as 15 principais ameaças às espécies de fauna selvagem – além do atropelamento, o envenenamento, a electrocussão, a caça ou a queda dos ninhos, entre outros – e vai sugerir 15 medidas de protecção.

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