Movimento quer criar condições para regresso de ursos e abutres a Portugal

ursoSol

O movimento Rewilding pretende criar condições nos habitats de 100 mil hectares, em Portugal, para que regressem animais, como o urso ou o abutre, uma proposta que ficou sem resposta das entidades públicas, disse hoje um responsável pela iniciativa.

Aquela área, que se prolonga por Espanha, é uma das seis zonas europeias que serão alvo de um plano de desenvolvimento baseado nos pressupostos do movimento Rewilding, que começou na América do Norte, nos anos de 1970, e que defende o regresso da vida selvagem, da floresta e dos prados, a terrenos abandonados pelos agricultores.

“A iniciativa está focada no grande oeste ibérico, uma zona de montado de sobro, azevinho e quercus pyrenaica [carvalho], a norte da cordilheira mesoibérica, que vai da Malcata até ao fim da meseta ibérica, a norte do Douro, e a oeste, até ao Côa”, disse hoje à agência Lusa o coordenador da associação Transumância e Natureza, Pedro Prata.

“É um ecossistema onde o valor de biodiversidade é alto, reconhecido como um ‘hotspot’, tem um grande e avançado abandono agrícola e uma regeneração natural já por si positiva”, referiu o responsável local da iniciativa Rewilding Europe.

Pedro Prata explicou que se pretende “cobrir uma área de cerca de 100 mil hectares, até 2020, com iniciativas que componham o resto das funções em falta, nomeadamente o aumento do ‘stock’ de herbívoros selvagens, como o veado e a cabra montesa”.

As acções ainda não se iniciaram, pois a Rewilding é uma iniciativa privada, lançada por associações e fundações, e as decisões sobre esse tipo de planos são do domínio público.

“Em Portugal e Espanha, o primeiro contacto da Rewilding foi com as entidades públicas desta área, mas não obtiveram resposta e procuraram outro parceiro”, segundo Pedro Prata, que falava a propósito da sua participação no Greenfest, evento sobre sustentabilidade que se inicia na quinta-feira, no Estoril.

Esta estratégia “ainda não é suficientemente generalizada e pacífica para ser aceite à primeira e encontramos [em Portugal] os obstáculos que encontramos em qualquer outro lado”, referiu.

O trabalho a efectuar passa por uma primeira reintrodução de cavalos e vacas, como grandes herbívoros, não selvagens, mas em regime selvagem, ou seja, “animais domésticos que estão no terreno como selvagens”.

“A esperança é que isso tenha efeito a nível dos grandes predadores e dos grandes necrófagos, representados pelo urso e pelo lobo, como grandes carnívoros, e as aves necrófagas, como o abutre, e grandes rapinas”, como a águia real, avançou o coordenador da Transumância e Natureza.

O objectivo não é reintroduzir animais, o que se faz quando espécie está completamente ausente de um habitat, mas sim recuperar, quando se instalam alguns indivíduos para aumentar uma população já existente.

“Não se trata aqui de reintroduzir porque está em falta, é mais repor os ‘stocks’ naturais”, especificou Pedro Prata.

A intervenção pode ser realizada de forma indirecta, melhorando os habitats e as capacidades de cada um para albergar essas populações, promovendo a sua expansão natural.

Entre as acções indicadas pela Rewilding estão a criação de charcos temporários ou a definição de corredores ecológicos através de negociações e compra de direitos de caça.

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