‘O grande circo místico’ em Portugal irrita defesa dos animais

circos sem animaisNotícias ao Minuto

A rodagem do filme deverá acontecer em janeiro e contará no elenco com cerca de 80 atores, entre os quais António Fagundes, Catherine Mouchet, Vincent Cassel e Jesuíta Barbosa e terá uma equipa técnica portuguesa e animais do circo de Vitor Hugo Cardinali, disse à Lusa o produtor Luís Galvão Teles.

No Brasil, onde é legalmente proibido utilizar animais de circo, foi lançada uma petição apelando ao realizador para que não incluísse animais no filme. Em Portugal, a Associação Vida Animal também avançou com uma petição pública, com mais de 3.500 assinaturas, invocando o mesmo apelo e criticando o Governo de ter apoiado esta produção de cinema, através do Instituto do Cinema e Audiovisual (cerca de 110.000 euros).

“A Vida Animal continuará a tentar chamar a atenção para a nossa legislação desadequada e impedir que Portugal se torne destino preferencial para quem pretenda explorar animais para entretenimento e não o possa fazer no seu país de origem”, afirma esta semana a associação em comunicado.

Em reação às críticas dos peticionários, a produtora brasileira Renata de Almeida Magalhães rejeitou, em comunicado enviado à Lusa, qualquer ideia de maltrato de animais e que estes serão utilizados em situações de um quotidiano de circo: “Não há nenhum motivo para que sejamos tratados como ‘monstros-­que-maltratam-animais'”.

“A história do Circo Vitor Hugo Cardinali assegura-nos que estamos trabalhando com uma das pessoas mais sérias do universo circense”, afirma a produtora.

‘O grande circo místico’, poema de Jorge de Lima, foi adaptado nos anos 1980 para um espetáculo de música e dança, com composições de Chico Buarque e Edu Lobo, que chegou a ser apresentado em Lisboa.

A história é de amor, entre um aristocrata (Frederico) e uma acrobata (Agnes), que fundam um circo, a dinastia do circo Knieps, no início do século XX.

Além da questão legal, que em Portugal permite a existência de animais de circo, Renata de Almeida Magalhães afirma que a produção brasileira está “feliz” por “de alguma forma contribuir para o aquecimento de um dos setores [audiovisual] que mais sofreram com a crise que se abateu sobre a Europa”.

Carlos Diegues, 74 anos e conhecido como Cacá Diegues, e considerado um dos fundadores do Cinema Novo do Brasil, sendo autor de filmes como ‘Quando o carnaval chegar’ (1972), ‘Xica da Silva’ (1976), ‘Tieta do Agreste’ (1996) e ‘Orfeu’ (1999).

O realizador brasileiro, que tem raízes portuguesas, esteve em Portugal em 2011, quando foi homeageado no festival Douro Film Harvest.

Na altura, Cacá Diegues afirmou que era preciso “resolver este abismo oceânico” entre a cinematografia de Portugal e do Brasil, “através de coproduções e de troca de participações”.

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