José Lemos escolheu viver na rua para ficar com a melhor amiga

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Aos 55 anos, 17 dos quais passados na prisão, José Lemos é conhecido no Funchal por transportar num carrinho de bebé os seus fiéis companheiros — Piloto e Menina, a cadela que o fez optar por morar na rua.

“Eu vivo com pouco, mas, do pouco que amealho, grande parte gasto com os animais”

“Eu vivia com uma irmã, mas ela não aceita a minha cadelinha, diz que não quer cães na sua casa, então, decidi vir embora porque a cachorrinha não sai da minha beira há nove anos. Ela é a minha família”, conta à agência Lusa, explicando como se tornou, também ele, num “animal” errante.

José Henrique Lemos Pinto — ou senhor Lemos, como é conhecido na baixa da cidade — partilha hoje com outros sem-abrigo uma casa devoluta na Rua Bela de São Tiago.

Dos tempos da prisão, onde cumpriu pena por tráfico de droga, ficou-lhe o gosto pela companhia dos animais: “A cadeia é um sítio muito solitário, então, fiz amizade com um gato – o Malvinas – e era ele que mitigava a minha solidão”.

Agora vive sobretudo das ajudas que gente anónima lhe dispensa diariamente e que usa, em grande parte, para tratar da Menina e do Piloto, a sua recém-adopção, com apenas cinco meses.

Quem o contempla, com ar surpreso, a passar pelas ruas com os animais no carrinho de bebé diz-lhe para comprar comida para si e para os cães, que estão vacinados e têm chip.

“Eu vivo com pouco, mas, do pouco que amealho, grande parte gasto com os animais. Primeiro dou a eles e só depois me sirvo”, afirma, referindo que sempre que pode alimenta e recolhe cães e gatos errantes.

“Aquilo que puder fazer à minha volta vou tentar fazer. Se vir um cão abandonado e, se puder, vou ajudá-lo e se necessitar de carinho, vou dá-lo. Acredito numa causa que é a causa dos animais e tento lutar por eles. Se é uma causa perdida, isso já não sei”, comenta.

Para o senhor Lemos, é difícil compreender “certas mentalidades” e pessoas que maltratam os animais ou que recusam dar um copo de água quando sabem que é para o cão.

“Acham que os animais são um saco de pulgas, que não têm valor, que não sentem, que não sofrem e que não partilham da alegria como qualquer ser humano. Os animais também estão na Bíblia”, sublinha.

A ideia de poder ser separado da sua “família” ou de ver os seus cães sofrerem atemoriza-o. Se lhe tirassem os cachorros, admite, tiravam-lhe uma grande parte da vida.

José Henrique diz mesmo que a sua companheira faz mais por ele do que ele por ela — dá-lhe carinho, fê-lo recuperar a alegria e parar de deambular como “um morto-vivo” e ajuda-o a “evitar certas aventuras” menos aconselháveis.

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