Bachinski: “95% dos testes em animais são perdidos quando testados em humanos”

cobaia ratoEcoAgência Solidária de Notícias Ambientais

Nessa semana, o doutorando em Biotecnologia pela Universidade Federal Fluminense, Róber Bachinski, ministrou palestra na Câmara Municipal de Porto Alegre sobre os “Incentivos e desafios da pesquisa sem animais – a Toxicologia do Século XXI”. O biólogo apresentou as pesquisas mais recentes sobre métodos substitutivos à experimentação com animais. A evolução da sociedade vem pressionando a ciência que tem respondido com inovações no campo tecnológico de testagem de substâncias que são a base de medicamentos e cosméticos.

Bachinski disse que “95% dos testes em animais são perdidos quando testados em humanos” e destacou a criação da Rede Nacional de Métodos Alternativos, RENAMA, dentro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O surgimento da Renama é uma das ações dentro do panorama internacional que fomenta e privilegia o princípio dos “3Rs”, desenvolvido por William Russell e Rex Burch em 1959. Segundo a Rede, Reduction (Redução) reflete a obtenção de nível equiparável de informação com o uso de menos animais; Refinement (Refinamento) promove o alívio ou a minimização da dor, sofrimento ou estresse do animal; Replacement (Substituição), estabelece que um determinado objetivo seja alcançado sem o uso de animais vertebrados vivos) permitindo a existência de uma infra-estrutura laboratorial e de recursos humanos especializados capazes de implantar métodos alternativos ao uso de animais e desenvolver e validar novos métodos no Brasil.

A Europa, em especial, disse, vem sinalizando a emergência de novos paradigmas que não incluirão num futuro próximo os animais nos seus laboratórios. Além de significarem a libertação de um número imensurável de animais usados para tais fins, os métodos alternativos têm se revelado econômicos e mais produtivos do que os que utilizam animais. O pesquisador afirmou que muitos dos seus colegas se mantêm presos às antigas tradições por comodismo, receio diante de novos desafios e pela própria inércia da chamada “ciência normal” nos termos de Kuhn.

“Diferentemente do campo da pesquisa, o uso de animais para finalidades didáticas objetiva ilustrar fenômenos ou possibilitar práticas que já são conhecidas, e que precisam ser visualizadas ou exercitadas,” disse. No site da 1Rnet estão disponíveis estudos acadêmicos que demonstram que o emprego de novas tecnologias e abordagens que substituem o uso de animais no ensino é tão eficiente quanto, ou as vezes superior, comparado ao uso tradicional de animais.

A palestra voltada para um público especializado, deu conta de diferentes métodos substitutivos já aplicados nos laboratórios mais modernos do mundo. Vencedor do prêmio Lush, que recebeu na Inglaterra no final do ano passado, Róber Bachinski desponta como jovem pesquisador, cuja coragem de enfrentar o establishment se revelou quando, ainda estudante de biologia na UFRGS, recusou-se a frequentar aulas práticas em que havia uso de animais, ingressou com ação de objeção de consciência contra a instituição e conseguiu graduar-se sem presenciar a utilização de animais.

A realização da palestra foi do Grupo pela Abolição do Especismo (GAE) e do Coletivo do Vereador Marcelo Sgarbossa, com o apoio do Instituto para Pesquisa e Promoção da Substituição em Experimentos Animais (1Rnet).

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