Corridas de touros na TV são ou não serviço público?

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Por Ana Filipe Silveira

Nota da Redação: Não é problemático ter crianças a ver animais a serem torturados na TV, grave é ter crianças a ver cenas de amor na TV. Porque se as crianças aprendem a amar está tudo perdido. Quem o diz é, naturalmente, um defensor das touradas. Enormidades à parte, assinalemos a condenação da exibição de touradas na RTP pelo seu novo provedor do telespectador.

Provedor do telespectador da RTP defende que as corridas de touros não devem ser exibidas. Mas nos últimos três anos o espetáculo foi captando público.

As corridas de touros regressaram na quinta-feira à noite à antena da RTP1 com a transmissão da 51.ª edição da Grande Corrida TV, em direto do Campo Pequeno. E com elas voltou a discussão à volta de um tema recorrente: a emissão de touradas pelo canal do Estado é ou não serviço público? Não é difícil encontrar vozes contra e a favor da tauromaquia. Mas, se a questão é de presença num canal de televisão, é preciso somar aqui um ingrediente de peso: as audiências. Os números revelam que os espectadores de corridas de touros têm aumentado nos últimos três anos. Se, em 2012, a média era de 395 mil pessoas por cada emissão, em 2014 o número de seguidores rondou os 470 mil.

Jaime Fernandes, provedor do telespectador da RTP, não concebe porém a emissão de corridas no canal. “Enquanto provedor do telespectador da RTP, acho que não se enquadram. Porquê? Porque não deixa de ser uma forma de violência sobre os animais. Além disso, quem gosta pode sempre recorrer ao canal do cabo que é dedicado a esta arte”, explicou.

Do outro lado está Nuno da Câmara Pereira, para quem as corridas são como qualquer outro programa de televisão. “A transmissão de touradas na RTP1 faz o mesmo sentido que a emissão de telenovelas com cenas de amor durante a tarde, hora em que há crianças a ver. Faz até mais sentido transmitir touradas à noite do que novelas com essas cenas de tarde”, frisou o fadista e ex–deputado.

“As corridas geram audiência”, disse José do Carmo Reis, presidente da mesa da assembleia geral da Associação de Tradições e Cultura Tauromáquica, à revista Notícias TV há um ano, aquando do início da época. E explica porque fazem parte das funções de serviço público da RTP: “Porque levam aos portugueses que não têm tantas condições ou disponibilidade para ir a uma tourada e que se identificam com essa arte tão nossa”, observou.

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