E se acabássemos com “tradições” bárbaras como as touradas?

afonso_jantaradaEsquerda

A utilização de animais para espetáculos de entretenimento tem sido uma das questões éticas mais discutidas atualmente. O novo paradigma da ética animal entende todos os seres vivos como seres sencientes. Assim, todo o sofrimento animal para entretenimento humano é injustificável. A esquerda luta pelo fim da exploração do ser humano pelo ser humano, como acontece nas sociedades capitalistas. Hoje existe a perceção de que a exploração não se resume à dominação entre seres da mesma espécie, mas também a relações de dominação entre espécies diferentes.

A Assembleia da República aprovou uma lei que prevê que qualquer maltrato fisíco a algum animal de companhia seja punido com uma pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias. Mesmo depois de está lei ter entrado em vigor, a 1 de Outubro de 2014, ficaram ainda algumas questões ainda por responder: Porque apenas os maltratos a animais de companhia ficam sujeitos a penalização? Como compatibilizar a existência de touradas com a prova de que os touros e cavalos são seres sencientes ? É possível que o valor da tradição supere o valor da vida dos restantes seres vivos?

Se no passado, e com o desconhecimento total do conceito de bem–estar animal, estes espetáculos poderiam ser culturalmente interessantes, com os conhecimentos atuais as touradas não fazem qualquer sentido e, por isso, devem acabar.

Mas como compatibilizar o respeito pela tradição com a posição anti-tourada que aqui defendo?

É certo que a tradição é muito importante para a memória coletiva de um povo, sendo até um fator de identificação de diferentes culturas. Entendo que poderíamos adotar aqui duas posições bem diferentes.

A primeira, baseada no relativismo cultural extremista, defende que não se poderá exigir o fim das touradas por todas as tradições serem legitimas e, portanto, a tentativa de se tentar aboli-las é não se respeitar a cultura de um povo. No entanto, esta posição esquece que o respeito pela cultura de um povo não é igual ao respeito por todas as tradições de um povo. Resumindo, não existem culturas mais ou menos “melhores”, mas existem tradições que respeitam ou não os direitos humanos, animais e ambientais. As touradas não respeitam nenhum destes direitos e, por isso, devem ser abolidas. É nesta segunda posição que me encontro.

Mas como o fazer preservando o costume anti-proibicionista que a nossa esquerda se orgulha?

A resposta passa por três medidas simples mas fundamentais:

1) o Estado não deve financiar qualquer espetáculo tauromáquico; 2) deve-se limitar a ida às touradas a criança; e 3) a RTP deve parar de emitir esses “espetáculos“ vergonhosos. Mas não cabe apenas ao Estado zelar pelos direitos dos animais, mas também aos partidos e, acima de tudo, aos movimentos sociais, que têm um papel fundamental nesta luta. As pessoas de esquerda ou anti-touradas devem-se unir por esta luta.

Temos a certeza de que com esta luta a suposta tradição da tourada vai eventualmente acabar. Ao afirmar o fim das touradas temos a certeza que, mais uma vez, -estamos do lado certo da história!

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