Tucano vítima do tráfico de animais é resgatado e recebe bico impresso em 3D

106137.175711-Tucano-bico-impressora-3DCanal Tech

Um tucano vítima de maus tratos de traficantes de animais recebeu uma nova chance de ter uma vida quase normal depois de ser resgatado no Rio de Janeiro. A ave, batizada de Tieta, perdeu a parte de cima do bico e tinha dificuldades na hora de se alimentar.

O tucano foi resgatado em uma feira de vendas ilegais de animais silvestres no Rio de Janeiro em março deste ano e chegou ao centro de triagem do Ibama magro e desnutrido em uma caixa de papelão. Cinco meses depois, a ajuda veio graças a uma impressora 3D, que criou um bico novo para Tieta.

“Nos primeiros três dias após a cirurgia tentamos dar frutas, mas ela não entendeu que já tinha um bico e não conseguia comer. Mas quando passei a usar iscas vivas, como larvas e baratinhas, ela pegou imediatamente”, comenta Roched Seba, diretor do Instituto Vida Livre e coordenador do projeto. Ele ainda comenta que o animal demorou cerca de três dias para se adaptar totalmente à prótese.

O processo de produção do bico levou cerca de três meses e a impressora 3D levou duas horas para finalizar o objeto, que mede um pouco mais de 4 cm e pesa apenas 4 g.

Três universidades e outras instituições estavam envolvidas no projeto, que tinha como desafio fazer uma prótese leve e resistente, mas sem nenhuma outra para se inspirar. Porém, uma outra espécie de tucano estava recebendo um bico novo em São Paulo e ninguém tinha conhecimento disso.

Taciana Sherlock, coordenadora do centro de triagem, diz que não sabe se a causa da perda do bico foi uma briga entre os tucanos ou consequências dos maus tratos. Ela afirma que nunca havia visto um trauma tão grande em animais vítimas de tráfico e que tucanos de bico preto são comuns nessas feiras. Quando criados em cativeiro e comercializados de forma legal, cada animal pode custar até R$ 15 mil.

Como molde, foi usado o bico de um animal morto e a ajuda de um programa que criou um modelo semelhante ao de Tieta. Foram quatro tentativas até encontrar a prótese perfeita, que foi implantada com parafusos.

O bico recebeu acabamento de esmalte preto e resina de polímero de mamona, uma tecnologia brasileira que atua na vedação da prótese e evita que materiais fiquem acumulados. A cirurgia levou 40 minutos para ser finalizada e o animal precisou receber anestesia geral.

De acordo com o veterinário Thiago Muniz, não há risco de que o corpo de Tieta rejeite a prótese pois ela foi implantada em uma parte do bico que é feita de queratina. Ele comenta que o bico não é importante somente para a alimentação do animal, mas que ele também serve para estimular uma glândula que impermeabiliza suas penas para que ele não sofra com a chuva.

Mesmo com a prótese, Tieta não pode ser solta na natureza e o Ibama deve decidir se o seu destino será um zoológico ou um santuário. A organização e o Instituto Vida Livre querem que a ave seja exposta em um projeto educativo com o intuito de conscientizar a todos sobre os malefícios do comércio ilegal de animais.

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