Agricultor deixa morrer à fome mais de 100 animais

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Nota de Redação: Uma notícia dramática e revoltante, que ilustra a crueldade da pecuária.

Uma exploração agropecuária com cerca de 100 bois, vacas e vitelos está a preocupar a população de Serzedelo, na Póvoa de Lanhoso, devido ao problema de saúde pública e atrocidades cometidas sobre os animais, que estão a morrer à fome.

O dono do gado é José Vieira, que diz estar a ser perseguido pelo Ministério da Agricultura e garante que não tem dinheiro para alimentar os bichos.

Uma visita à exploração permite perceber que as pastagens estão sem alimento, não há feno ou serragem, os animais têm os ossos à mostra e o cheiro apenas é suportável de máscara, em algumas zonas. Na semana passada, José Vieira ainda tinha na garagem os ossos de dois vitelos de dois e sete meses. Ambos morreram à fome. “Ou o Ministério me dá uma ajuda urgente ou então vão acabar por morrer todos”, explica o próprio, enquanto abre o celeiro onde uma vaca deitada já só mexe os olhos. “Já não dura dois dias, vai morrer porque não comeu”, admite o dono.

Na base do problema está um imbróglio difícil de resolver. Tudo começa em 2003 com análises feitas pela Direção-Geral de Veterinária (DGAV) à exploração. A inspeção identificou brucelose e, quando isto acontece, o terreno fica sob sequestro, o que impede o dono de comercializar os bovinos e receber apoios do Estado para a exploração.

Com o terreno sob sequestro, muitos animais deixaram de ter o que comer e José Vieira optou por soltá-los nos montes da Póvoa de Lanhoso. “Deixo-os à solta que assim ainda vão rapando por aí, porque se os tiver aqui, morrem”, alega. Agora, para o terreno deixar de estar sob sequestro, é preciso que José Vieira reúna todos os animais e fique com eles no celeiro durante três dias para poderem ser identificados. E diz não ter dinheiro para isso, pois precisaria de os alimentar.

Na carta que escreveu à então ministra da Agricultura, Assunção Cristas, o dono do terreno expôs a situação. Na resposta, a que o JN teve acesso, o gabinete do Ministério explica que a DGAV e a Organização dos Produtores Pecuários (OPP) da Póvoa de Lanhoso já fizeram um rastreio gratuito que retiraria o sequestro do terreno caso José Vieira apresentasse para abate 28 animais cuja identificação não foi possível realizar. Só que isso também não aconteceu. Todos os animais daquela exploração foram desativados no sistema informático e a exploração permanece ilegal.

“Não quer andar dentro da lei”

“Já fizemos tudo o que podíamos fazer por ele. Esse senhor não quer andar dentro da lei”, acusa Alexandre Veiga, presidente da OPP da Póvoa de Lanhoso. O responsável confirma a versão do Ministério e fala de um “crime hediondo”: “Os animais é que não têm culpa e estão a sofrer, porque quem não pode ter 100, tem 50”.

Alexandre explica que “não se pode identificar animais se a exploração não está direita” e que “ninguém sabe como é que isto vai acabar”, pois “até a GNR está saturada com esse senhor”. José Vieira já foi alvo de 29 contraordenações por problemas na exploração.

“O gado anda aqui à solta, comeram-me as couves que eram para o Natal e já causaram acidentes com carros, a GNR vem, mas como os bichos não têm brinco não se pode provar que são dele”, acusa um vizinho, sob anonimato para não ter problemas com José Vieira.

O mais certo é que o caso acabe com a interdição total da exploração, como já ameaçou o Ministério na resposta a José Vieira. Até lá, os animais continuam a morrer à fome.

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