Dos animais feios, nem os cientistas gostam

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Há os animais bons, há os maus e, depois, há… os feios. E, destes, parece que nem os cientistas gostam, porque quase não há estudos sobre eles.

A conclusão é de dois biólogos australianos que passaram em revista mais de 14 mil estudos sobre 331 espécies de mamíferos do seu país e descobriram que existe uma enorme desproporção no número de estudos científicos sobre as espécies fofinhas, como os coalas ou os cangurus, em comparação com outras criaturas menos bafejadas pela beleza, como os morcegos e os roedores que são quase metade (45%) das espécies de mamíferos nativas da Austrália.

No trabalho que publicaram esta semana na revista Mammal Review, Patricia Fleming, da Universidade de Murdoch, e Philip Bateman, da Universidade de Curtin, alertam para o facto de o desinteresse científico sobre os animais menos atraentes arrastar consigo a falta de reconhecimento do seu papel no equilíbrio dos ecossistemas, o que, dizem os dois investigadores, acaba por ter um efeito perverso: os fundos para a conservação passam ao lado dos animais menos carismáticos, muitos deles em situação que exigiria maiores esforços de preservação, como acontece com alguns morcegos ameaçados.

“Provavelmente, os australianos ficam surpreendidos com o grande número espécies de morcegos e de roedores nativos do nosso país”, diz Patricia Fleming, sublinhando que o “maior problema é que, conhecendo-se pouco sobre a sua biologia, a sua gestão pode ser feita de forma errada”.

Na análise dos trabalhos científicas publicados desde 1901 sobre a a fauna selvagem da Austrália, Fleming e Bateman identificaram três grandes categorias: os que analisam a fisiologia e a anatomia do animal e incluem um foco ecológico, que são a esmagadora maioria e incidem sobre espécies de coalas e de marsupiais (os bons); os que abordam espécies introduzidas e controlo de populações, como gatos e coelhos (os maus) e depois os estudos sobre todos os outros, que são maioritariamente ignorados (os feios).

“Para a maioria destas espécies, os investigadores fizeram pouco mais do que catalogar a sua existência”, resume Patricia Fleming, alertando para a necessidade urgente de “se observar e documentar as suas dietas, os seus habitats e processos reprodutivos, para identificar ameaças e tomar opções de gestão informadas”.

Os riscos não são abstratos. Desde que os europeus se estabeleceram na Austrália, já se extinguiram 20 espécies de mamíferos nativos e há pelo menos outros 20 em risco. Fora o que não se sabe porque, simplesmente, não foi estudado.

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