Centenas de cavalos e vacas abatidos a tiro Leia mais: Centenas de cavalos e vacas abatidos a tiro

vacaJN

Por Ana Peixoto Fernandes

Nota de Redação: Uma notícia que demonstra bem a crueldade da pecuária, a indiferença geral em relação ao sofrimento de animais que não são de companhia e a visão especista de uma comunicação social que se refere a estes animais como se fossem apenas uma praga.

Gado bovino e equino, deixado à solta nos montes pelo proprietários e que se reproduz descontroladamente, desce às aldeias do Alto Minho, entra pelos campos agrícolas e destrói tudo.

A freguesia de Rio Frio, em Arcos de Valdevez, tem travado uma luta inglória a tentar chamar a atenção do Estado para o problema das “centenas” de animais errantes que traz a população à beira do desespero. Muitos são encontrados mortos, a tiro. Suspeita-se de que por retaliação dos lesados.

“O “Zé do Miranda” apareceu–me em casa, no domingo, revoltado, pensando que os animais eram meus, porque lhe entraram sete vacas ou oito nas propriedades e comeram as videiras. Estava todo chateado. Queria-me matar as vacas, mas as minhas não andam à solta”, contou ao JN Manuel Barreiro, ex-emigrante em França, que depois de regressar à terra, Rio Frio, virou agricultor.

Para protegerem as suas propriedades dos ataques constantes, Manuel e a mulher, Lurdes Lima, colocaram “dois quilómetros de vedação”. “Uma pessoa acabava de plantar e no dia a seguir estava tudo destruído. Uma vez plantámos mais de 30 oliveiras, gastámos 400 euros, as vacas vieram e roeram–nos tudo”, conta Lurdes.

O marido fala num “problema grave que afeta toda a gente” e lamenta que alguns animais sejam apanhados pela fúria de pessoas. “No outro dia vi um cenário, ai Jesus, até virei a cara: uma vaca com a cria a sair, metade de fora, morta na berma da estrada. Fiquei muito chocado, quase chorava”, recorda, desabafando: “As pessoas recebem os subsídios e depois não têm amor nem estima pelos animais. É unicamente o dinheiro que lhes interessa e isso é grave. O Estado aqui em Portugal teria de fazer alguma coisa para evitar isto”.

Contactado o chefe do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Viana do Castelo, capitão Miguel Branco, confirmou o registo de 25 denúncias de proprietários da região do Alto Minho, entre janeiro de 2015 e junho deste ano, relacionadas com destruição de culturas agrícolas por animais errantes. “Infelizmente, é uma situação que acontece com bastante frequência e afeta toda a região. É difícil atuar, porque somos chamados e quando chegamos os animais já lá não estão”, afirma.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s