Quem critica os vegetarianos

lisa vegetarianaPúblico

Por Alexandra Prado Coelho

Nota de Redação: Finalmente, uma notícia sobre vegafobia em Portugal. Os nossos parabéns à jornalista.

“A ideia de incluir refeições vegetarianas nos menus infantis ou de adoptar um regime vegetariano para crianças é, por vezes, mal acolhida socialmente”, escreve Gabriela Oliveira, no recém-editado livro Cozinha Vegetariana para Bebés e Crianças. A autora compara a situação no Oriente, “onde muitas crianças crescem naturalmente vegetarianas”, com a que existe no Ocidente, onde “o vegetarianismo ainda é encarado com alguma estranheza, resistência e falta de conhecimento”.

Estas resistências vêm, segundo Gabriela Oliveira, até de alguns técnicos de saúde que “colocam obstáculos e tentam dissuadir os pais de iniciar ou manter uma alimentação vegetariana para os filhos, alegando que a carne é obrigatória nos primeiros anos de vida”.

Defende também que “em festas de aniversário e jantares de família, é essencial que amigos e familiares respeitem a opção vegetariana e evitem comentários despropositados” e, sobretudo, que se abstenham de “aliciar bebés e crianças de pouca idade com alimentos inadequados e opostos à vontade dos pais”.

Sandra Gomes Silva, nutricionista especializada em dietas vegetarianas e uma das autoras do manual Alimentação Vegetariana em Idade Escolar, confirma que existe alguma pressão social, que lhe é relatada por pais que a procuram precisamente em busca de orientação quanto à escolha dos alimentos mais adequados a crianças pequenas. “Por vezes, familiares e amigos tentam convencê-los de que essa poderá não ser a melhor opção”, conta. “Mas o nosso manual clarifica que uma alimentação vegetariana pode ser saudável e adequada em todas as fases da vida, incluindo a infância.”

O casal de nórdicos David Frenkiel e Luise Vindahl, autores do blogue Green Kitchen Stories e do livro Vegetariano Todos os Dias, explicam que na Suécia, onde vivem, não se confrontam com esse tipo de questões. “Quando a nossa filha mais velha foi para o infantário quiseram fazer um teste médico para ver se ela tinha falta de alguma coisa e o teste mostrou que ela tinha valores melhores que todos os outros miúdos da escola. Não apenas por não comer carne, mas por comer tantos alimentos diferentes e saudáveis.”

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