Qual é o lado cruel de ter um pug como animal de estimação

pugNexo

Entre 2006 e 2015, o interesse por cachorros da raça pugcresceu cerca de 50 vezes na busca do Google Brasil. Em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, o pug e o bulldog francês, outro cãozinho de corpo e olhos pequenos e cabeça grande, estão entre os cães mais procurados na ferramenta.

O aumento da popularidade desses animais também está acontecendo em outros lugares do mundo – e preocupacientistas e veterinários. O motivo são os problemas de saúde específicos desses tipos de raças.

Por que pugs têm problemas de saúde

A maior parte das raças de cães que conhecemos foi criada a partir da intervenção humana. Há centenas de anos, humanos cruzaram cães com características específicas para destacar aspectos que gostariam de ver mais proeminentes naqueles animais, como tamanho, formato do focinho, do rabo ou das orelhas, por exemplo.

Esse cruzamento seguido e intencional resultou nas raças como as conhecemos. Mas também serve, acidentalmente, para destacar problemas de saúde específicos em determinadas linhagens genéticas.

Isso acontece no caso dos pugs. Problemas oculares, respiratórios, alergias de pele, morte súbita e problemas nas vértebras e nos ossos aparecem frequentemente nesse tipo de cão – e tudo em razão da maneira como sua raça foi apurada.

Veja como as principais características físicas dos pugs se relacionam com os problemas de saúde que esses animais frequentemente apresentam:

Os pontos fracos na saúde dos pugs

RESPIRAÇÃO

O focinho curto e achatado dos Pugs resulta em narinas pequenas e estreitas. Além disso, o crânio menor não significa que as vias respiratórias têm menos tecido. Por dentro, o excesso de tecido dificulta a respiração. Isso causa desmaios, dificuldade para respirar e para dormir e pode levar à morte súbita do animal.

OLHOS

Outra consequência da cabeça achatada dos pugs são os olhos esbugalhados, que aumentam as chances de lesões oculares. Além disso, os pugs apresentam problemas para fechar completamente as pálpebras, o que pode causar úlceras e secar os olhos do animal. Essas disfunções causam dor e podem levar à cegueira.

ESTÔMAGO E INTESTINO

Pugs engolem muito ar devido aos problemas respiratórios que possuem naturalmente. Isso acaba afetando a saúde gastrointestinal desses animais.

VÉRTEBRAS E OSSOS

Deformidade nos ossos de pugs são comuns e podem causar dor, dificuldade para caminhar e, em último caso, a perda de movimento nas pernas traseiras. Essas deformações têm a ver com a meta de manter o corpo do animal pequeno através de cruzamento selecionado.

PELE

As dobras na pele do pug frequentemente causam acúmulo de fungos e levam a doenças de pele e alergias.

PARTO

A cabeça anormalmente grande do pug normalmente em muitos casos exige que os filhotes nasçam por cesárea.

TEMPERATURA

O nariz achatado dos pugs dificulta a regulagem da temperatura do corpo desses animais, que nos cachorros é feita pelo nariz.

Outras raças que enfrentam problemas parecidos em razão do formato do crânio são o pequinês, o boston terrier, o bulldog francês e o pinscher. Na medida em que a popularidade desses cães cresce, criadores tendem a cruzar mais pugs para obter filhotes e vendê-los. E esses animais estão fadados a terem problemas de saúde.

A RSPCA (sigla para a Sociedade Real Para Prevenção da Crueldade Contra Animais da Austrália) tem um manifestocontra o cruzamento desenfreado de cães do tipo para resultar em animais com pedigree.

“A RSPCA acredita que cruzadores responsáveis priorizam a saúde, o bem-estar e o temperamento dos cães, acima de sua aparência física. Os problemas de saúde e bem-estar enfrentados por cães de cabeça achatada como os pugs não existiriam se os criadores evitassem o cruzamento em busca de formatos de cabeça tão extremos”, diz o texto.

Um estudo feito em 2010 por um grupo de veterinários australianos identificou que, embora o interesse por animais do tipo esteja crescendo, a maioria dos donos não sabe que são as características físicas cultivadas na raça as responsáveis pelos problemas de saúde dos pugs.

Na pesquisa, os autores sugerem que a preferência por animais com olhos e cabeça grandes e corpo pequeno podem ser uma mistura de necessidade com instinto.

Cães pequenos funcionam melhor em espaços pequenos – e levar isso em conta é essencial para indivíduos que vivem em apartamentos. Já o aspecto infantil dos pugs pode despertar em humanos um instinto “cuidador”, que faz com que nos sintamos compelidos a cuidar de seres com feições “fofas” – olhos grandes, cabeça grande, focinho achatado.

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