O cão é o melhor amigo da … mulher

cao gatoSábado

Ángel Mariscal não se esquece do desespero que sentiu do outro lado do telefone. Há uns anos, uma mulher ligou-lhe a pedir um cão de segurança – era vítima de violência doméstica e temia sofrer represálias do marido. O sistema judicial e policial de protecção falhara e ela estava sozinha, recorda o director da Security Dogs, uma empresa espanhola de treino destes animais. “Percebi que não era adequado dar-lhe um cão típico. E lembrei -me de treinar outros, com um modelo diferente”, diz à SÁBADO.

Ao contrário dos animais usados pelas forças públicas (cães de segurança), que mordem e podem mesmo matar, estes são mais equilibrados e sociáveis. São conhecidos por Pepos (a junção das palavras espanholas perros de protección, cães de protecção, em português) e têm uma característica que os distingue: um “sentido de justiça” para situações de violência de género. “É a capacidade de actuarem depois de discernirem o que é justo “, diz Ángel Mariscal. A maioria é da raça pastor alemão.

Hoje, o programa da Fundação Mariscal, em Espanha (a ideia ainda não chegou a Portugal), protege 17 vítimas de violência de género com a ajuda de cães. Em todos os casos, os parceiros das mulheres foram condenados ou receberam uma ordem do tribunal para se afastarem.

Cães com açaime especial

Kala foi um dos primeiros animais do projecto. É responsável, há dois anos e meio, pelo bem-estar de Gema. A espanhola acredita que o ex-namorado irá procurá-la assim que sair da prisão. “Diz que sou culpada pelas condenações. Antes de ter sido detido, era um selvagem, partiu-me o nariz e rebentou-me o tímpano”, contou ao jornal El Mundo. “Numa saída precária, rondou a minha casa, mas viu-me com a Kala e deu meia volta. Sem a Kala sou carne para canhão.”

A primeira tarefa destes animais é garantir a segurança. “A única coisa que pode fazer com que sejam violentos é a dona agarrar o arnês com força. Esse acto significa que ela está em perigo”, conta Ángel Mariscal.

Nos casos em que o agressor insiste e a vítima corre perigo, o cão ataca, mas não morde. Aliás, estes “seguranças caninos” usam um açaime especial, com largura suficiente para que possam ladrar e com uma estrutura de metal na ponta, que os ajuda a empurrar o atacante. Se for preciso, conseguem derrubá-los. É uma forma de as mulheres ganharem tempo e chamarem a polícia.

Todas as participantes no programa são submetidas a uma avaliação psicológica porque, como sublinha Mariscal, “os cães não podem ser armas mal utilizadas”. A seguir, os responsáveis verificam se o animal viverá em boas condições e, depois, passam à formação. Ana é uma das últimas vítimas apoiadas pela associação – recebeu um cachorro. “Sei que ainda há um longo caminho para que se transforme num verdadeiro Pepo, mas por enquanto faz-me companhia. É a minha sombra. Fez muito mais por mim do que seis anos de terapia.”

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