Tauromaquia cria marca “contra mitos, ideias feitas e preconceitos”

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Nota de Redação: A nova estratégia dos empresários tauromáquicos foi revelada. Pretendem agora atrair a juventude com uma campanha publicitária que troca o sangue pelo origami, como se fosse possível disfarçar a violência da tourada.

O logótipo é uma cabeça de touro em origami, a técnica japonesa de dobrar papel, uma imagem inesperadamente suave, quase ascética, sem som nem fúria e muito menos sugestão de sangue, numa marca de nome “Touradas”. “Queremos ser inovadores”, explica Helder Milheiro, porta-voz da Prótoiro, a Federação Portuguesa de Tauromaquia. “Será um pouco disruptivo. Queremos estar associados à modernidade, quebrar os tabus, mitos e preconceitos associados à tauromaquia. Por exemplo, a ideia de que quem vai a uma corrida não gosta de animais. Pelo contrário, é um ato de sensibilidade, uma representação da condição humana como o teatro, a ópera ou o cinema. Só que, como disse Orson Welles, o toureiro é um ator a quem acontecem coisas de verdade.”

Certo é que pelo menos desde 2011, quando uma iniciativa legislativa popular levou o Parlamento a decretar o fim das touradas na Catalunha, que o mundo taurino se sente em cerco. Por cá, depois de quatro autarquias se terem declarado antitourada, um partido chamado Dos Animais (PAN) ganhou nas últimas legislativas assento no Parlamento e neste verão foram apreciadas – e chumbadas – iniciativas legislativas do mesmo, assim como do BE e dos Verdes, no sentido de proibir financiamentos públicos dos espetáculos tauromáquicos e participação de menores de 18 em touradas e, nas redes sociais, sobe o tom e agressividade contra os aficionados (e vice-versa). A Prótoiro, porém, nega ter sido este contexto a determinar a decisão de criar a Touradas, “uma ideia única no mundo” – “não existe em nenhum país com tradição taurina a agregação da comunicação em torno de uma marca”-, que tem como principal objetivo “vender e comunicar o produto”, mas “sem atacar ninguém.” Até porque, garante o seu porta-voz, ao contrário do que é a “ideia feita”, existe um interesse crescente pelo fenómeno entre os jovens e, frisa, as raparigas.

Comecemos por aí. “A grande esperança atual do toureio a pé é a Paula Santos, de 15 ou 16 anos, da escola taurina da Moita. E entre os jovens que querem ser cavaleiros tauromáquicos há uma maioria do sexo feminino, e temos cavaleiras que são estrelas”, garante Hélder Milheiro, porta-voz da Prótoiro. “Ao contrário do que se crê, houve grandes alterações neste meio no que respeita à questão de género. Aliás tivemos uma cavaleira de primeira linha nos anos 1950/1960, numa altura em que as mulheres não tinham acesso a várias atividades. O mundo da tauromaquia transformou-se com isso, e é uma transformação que não se vê por exemplo no mundo do futebol: onde é que estão as primeiras figuras mulheres? “Há até, garante, forcadas.

Aliás, adianta, nunca houve tantos forcados em Portugal como agora: “Há cerca de 50 grupos e 1500 praticantes; há 30 anos havia uns 20 grupos de forcados. E como se sabe os forcados tendem a ser muito jovens.” Portanto, conclui, “ao contrário do que muita comunicação social tende a dizer, o interesse dos jovens nos toiros não está a desaparecer.”

Para promover ainda mais interesse na população e também, claramente, tentar cavalgar o boom turístico que bafeja o país, a Touradas será para a Prótoiro “fazer como fez o Turismo de Portugal pelo turismo nacional: agregar numa marca a comunicação do nosso turismo, promovendo-o e gerindo-o de forma estratégica, fazendo a sua promoção com os agentes turísticos.” Como? Por exemplo, criando um “festival da marca em Lisboa, aproveitando a associação da tauromaquia ao fado e à gastronomia e eventualmente juntando-lhe flamenco”, adianta Milheiro. Previstos desde já estão o lançamento de uma linha de merchandising, a renovação da imagem nas redes sociais e um novo site. A marca será apresentada no final do mês.

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