Metade das pessoas que adotam animais desistem no dia seguinte

caesDN

As associações protetoras de animais domésticos querem acabar com a adoção de cães ou gatos por “mero impulso” durante as campanhas promovidas em feiras, após as más experiências acumuladas ao longo dos últimos anos. “Cinquenta por cento das pessoas que aceitam adotar um animal, no dia seguinte já não o querem”, lamenta Sara Alves, responsável de adoção e presidente da Associação Sobreviver de Setúbal. Eis a razão pela qual esta instituição tem recusado entregar cães e gatos nos dias em que decorrem as campanhas, preferindo fazê-lo após posteriores contactos com os adotantes.

“É muito mau para os animais, que acabam por sofrer. Há quem os adote ainda bebés e os devolva já adultos, porque perderam a graça, ou quem os leve para casa mas acabe por descobrir que alguém na família é alérgico. É tudo aquilo que não queremos para os nossos animais”, alerta ainda a dirigente da Associação Sobreviver, uma das quatro instituições – as outras são o Projeto Conchinha, Rafeiros Leais e Pravi – que este sábado vão participar na Feira de Adoção de Setúbal. Pelo Parque de Vanicelos estarão cães e gatos recolhidos pela câmara sadina e por associações de proteção animal, entre as 10.30 e as 15.00.

Serão, sobretudo, animais mais jovens que vão estar presentes na feira, por serem aqueles que garantem mais simpatia de quem procura um cão ou um gato de companhia, já que é habitualmente mais difícil convencer alguém a adotar um animal de estimação mais velho.

Mas Sara Alves admite que as campanhas sempre ajudam a sensibilizar a opinião pública para a adoção, aliás, tão necessária para a própria Associação Sobreviver, embora seja sempre essencial motivar o entusiasmo do futuro dono. A instituição tem hoje no seu abrigo 201 animais e anualmente recolhe outros tantos – segundo os dados oficiais de 2015, cuja tendência se mantém em 2016 – levando a que a capacidade do canil e gatil se esgote, acabando os 18 voluntários da associação por abrirem as portas das suas casas aos amigos de quatro patas temporariamente.

A maioria dos animais recolhidos por estarem ao abandono precisa de cuidados veterinários, exibindo maus-tratos físicos e psicológicos, segundo a dirigente. “Têm surgido mais animais maltratados do que propriamente abandonados”, sublinha.

Mas nem por isso a Sobreviver facilita. Sempre que há algum interessado em determinado animal durante as campanhas, um elemento da associação fica com o contacto telefónico e só no dia seguinte é feita a ligação para aferir se o interesse se mantém. Uma curiosidade: o contacto é estabelecido por uma pessoa diferente da que apresentou o animal na campanha, fazendo as mesmas perguntas, mas de forma diferente.

Metade dos interessados desiste, depois de dormir sobre o assunto, segundo indicam os registos da organização, mas quem se propõe seguir com o processo em frente é depois sujeito a uma visita à própria numa espécie de “prova dos 9”. Sara Alves explica que a ideia é voltar a conversar com o interessado, perceber qual é a reação do cão ou do gato à casa e como convivem com outros animais, caso existam. “É aqui que se tudo estiver em conformidade nós deixamos o animal, mas se detetarmos algo anormal não fica.”

Segundo o programa estabelecido para a Feira de Adoção de hoje, os interessados vão ser recebidos por técnicos da autarquia e voluntários das associações que esclarecerão as dúvidas dos futuros donos dos animais, que terão de assinar um termo de responsabilidade no qual se comprometem a tratar devidamente do animal.

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