Não há lugar para circos com animais nas sociedades modernas

andreSábado

Por André Silva

Nos últimos anos tem havido uma crescente discussão sobre o uso de animais selvagens para entretenimento. Isto reflecte-se em várias alterações legislativas sobre esta matéria sendo que, até agora, 18 países da UE adoptaram limitações ao uso de animais selvagens em circos, assentes num amplo consenso académico fundamentado por consistentes argumentos científicos. Esta discussão adquire particular relevância nos períodos festivos com um aumento da oferta de espectáculos de circo um pouco por todo o pais. É importante fazermos escolhas informadas sobre o tipo de actividades que escolhemos para nos divertirmos e para entreter e educar as nossas crianças. A declaração do Intergrupo do Bem-Estar e Conservação de Animais sobre os efeitos da vida de circo em animais selvagens, de Setembro de 2015 apresenta-nos as principais implicações para o bem-estar de animais selvagens numa vida de circo, que vão do confinamento extremo de espaço, à impossibilidade de expressão dos seus comportamentos naturais, à separação precoce da progenitora, à restrição forçada das interacções sociais, aos treinos rigorosos e comprovadamente desconfortáveis para os animais e às viagens frequentes que perturbam os seus ritmos naturais entre outros constrangimentos.

Apesar de, em diversos países já existir legislação que proíbe ou limita fortemente a utilização de animais nos circos, em Portugal há ainda todo um caminho a percorrer. De acordo com os registos da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) partilhados com o PAN em resposta a uma pergunta ao Governo sobre esta matéria, em Portugal ainda existem 1136 animais registados para utilização em espectáculos circenses. No entanto, várias entidades têm vindo a abdicar dos espectáculos que utilizam animais das mais diversas formas. Os Coliseus dos Recreios de Lisboa e do Porto fizerem-no no ano passado adoptando uma decisão ética e de educação da sociedade ao deixar os números artísticos entregues, exclusivamente, a seres humanos.

Este ano a TripAdvisor anunciou que deixa de ser possível comprar bilhetes para atrações que envolvam animais selvagens. O maior website de viagens do mundo não vai vender mais entradas para centenas de atrações nas quais os turistas estão em contacto directo com animais selvagens ou espécies em vias de extinção que estão em cativeiro e a isto chamamos colocar a responsabilidade social verdadeiramente à frente do lucro e contribuir para uma sociedade civil mais participativa e organizada.

A mudança de paradigma pode voltar a unir as comunidades em diferentes locais e escalas para encararmos, em cooperação com governos e empresas éticas, e com responsabilidade individual, os desafios mais prementes da humanidade, como a pobreza, as alterações climáticas, os conflitos que se geram fundamentalmente na resistência à mudança e no desconhecimento.

Temos agora oportunidades reais de progressivamente, se reconverterem estes espectáculos, abandonando as tradições anacrónicas e contrárias àquele sentido humanista que vê a cultura como um contributo para nos tornar melhores seres humanos, que caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades – e que melhor corresponde à sensibilidade contemporânea.

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